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05 de Junho: dia mundial do meio ambiente

A relação tênue entre moda e meio ambiente, comportamentos sustentáveis e emergentes e o que fazer para adquirir hábitos mais conscientes

O dia mundial do meio ambiente foi instituído em Estocolmo, no ano de 1972 durante uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo principal direcionar atenções de todas as esferas da população para os problemas causados como resultado da relação entre o homem e o meio ambiente. Vale lembrar que até a data da conferência os recursos naturais eram considerados, por muitos, inesgotáveis.

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Contudo, o assunto passou a ser visto com mais cuidado por todos os países, além de, a partir dali, surgirem ideias e propostas práticas para orientar a política ambiental em todo o planeta – o que não significa que as propostas sejam ou tenham sido seguidas, e ainda temos muito a melhorar em relação ao assunto, mesmo que tenham se passado quase 50 anos após os primeiros indícios a respeito da degradação ambiental.

A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo

Ficando atrás somente da indústria petrolífera, o setor têxtil é um dos que mais prejudicam o meio ambiente, e existem diversos fatores para que isso aconteça. Mas, é preciso entender como tudo começou para que consigamos assimilar onde estamos e para onde – provavelmente – vamos.

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A primeira máquina à vapor, inventada em 1698 por Thomas Newcomen, foi aperfeiçoada por James Watt em 1765 e partir daí, os avanços tecnológicos da Revolução Industrial beneficiaram a indústria têxtil, que foi pioneira em automatizar o tecimento de fios: os tecidos já não precisavam mais dos demorados processos manuais; uma máquina conseguia produzir grandes quantidades em muito menos tempo. Com isso, o papel das máquinas tornou-se essencial nas necessidades humanas e deixou mais prático diversos processos, inclusive o transporte.

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O surgimento da indústria consolidou o processo de formação do capitalismo e acelerou a produção de mercadorias, e claramente, teve como consequência uma maior exploração dos recursos naturais, para servirem como matéria-prima para diversos produtos e também para abrirem espaço para ferrovias, rodovias, fábricas, etc.

Com isso, não foi somente o meio ambiente que passou a ser explorado de maneira mais exacerbada, mas as pessoas também: mesmo que os processos manuais e mais demorados tivessem sido dispensados, a mão de obra humana ainda era necessária para o controle das máquinas, e a linha de produção trouxe à tona o lado mais sombrio do capitalismo, que é o lucro acima de qualquer coisa. As exaustivas cargas horárias, salários baixos, falta de direitos trabalhistas e os frequentes acidentes de trabalho, além da falta de respeito e reconhecimento dos patrões para com o proletariado reforçaram a revolta de funcionários que foram conquistando seus direitos ao longo dos anos através da formação de sindicatos e organização de greves trabalhistas.

Hoje em dia: consequências da exploração sem limites

Entenda que é necessário saber sobre o que aconteceu há séculos atrás para também entender porque a exploração ambiental toma rumos exorbitantes em pleno século XXI no ano de 2020: o lucro continua sendo o principal objetivo das grandes empresas, e não existe exploração ambiental sem exploração humana, portanto, quando falamos de sustentabilidade, nos apoiamos em três pilares importantíssimos e que sempre estão relacionados: natureza (meio ambiente), seres humanos e economia (política).

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Temos a tendência de achar que a maior parte da culpa da degradação ambiental é nossa, pessoas normais, que trabalham ou que têm pequenas empresas com processos menores, mas a verdade é que a maioria da população do planeta é pobre, a distribuição de renda é extremamente injusta e os donos de grandes corporações que concentram quase todo o dinheiro do mundo são os primeiros culpados e os primeiros a terem a responsabilidade, o dever de implementarem práticas mais sustentáveis (envolvendo os três pilares citados) em seus processos.

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Imaginem uma pessoa que é vítima desse ciclo de trabalho sem reconhecimentos, remunerações justas, direitos trabalhistas, que não tem acesso à educação e informação, que trabalha o dia inteiro em condições desumanas apenas para ter o que comer para si mesmo e para os filhos, vai se preocupar em não usar um copo descartável enquanto estiver na fila de um pronto-socorro lotado, ou procurar por produtos que não tenham uma embalagem de plástico?

Mas, ao mesmo tempo, outras pessoas, com mais acesso à informação e educação tem a obrigação de levar ideias progressistas para a frente e procurar por soluções mais sustentáveis no dia a dia, e tentar conscientizar o máximo de pessoas, não sobre o fato de que o lixo que ela gera prejudica o meio ambiente, mas conscientizar de que é importante saber sobre a história, sobre os momentos que já vivemos como humanidade, e fazê-las entender que tudo o que acontece tem um porquê, tem interesses envolvidos, e na maioria dos casos de exploração, existem pessoas agindo sem consciência em prol de ideais egoístas e desumanos.

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Falar para não usar roupas vindas de uma cadeia duvidosa ou para não usar copos descartáveis sem nenhuma explicação mais profunda, faz parecer um ato de ínfima importância, o que nós, que temos consciência sobre toda a história e sobre os ciclos e os impactos que eles causam, sabemos muito bem o quão grandioso e importante se é.

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E falando especificamente de moda, alguns exemplos de atos prejudiciais ao meio ambiente

  • Segundo dados do Fashion Revolution, os Tecidos de poliéster (sintéticos) que são feitos à base de petróleo e demoram mais de 200 anos para se decompor. São os mais baratos do mercado;
  • Tecidos de viscose são feitos à base de celulose e são considerados fibras artificiais, para produzi-los, é necessário derrubar milhões de árvores por ano;
  • Até mesmo os tecidos naturais de algodão necessitam de pesticidas e inseticidas para seu cultivo, gerando impactos degenerativos na água e no solo. O algodão orgânico é menos prejudicial, mas ainda assim, gasta cerca de 2700 litros de água para fabricar apenas uma camiseta;
  • Os corantes para tingimento de roupas são extremamente tóxicos e seus resíduos poluem água de rios e mares, no caso específico dos rios, em locais mais pobres as pessoas bebem daquela água, que não passa por nenhum tipo de saneamento, gerando doenças a quem não tem acessos;
  • O descarte de roupas e de sobras de tecidos gera um lixo que demora séculos para se decompor;
  • As fast fashions são umas das maiores responsáveis tanto pela degradação ambiental quanto pela exploração de pessoas.

Ações e pensamentos que podem contribuir a favor do meio ambiente

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Aqui vão algumas sugestões para que possamos melhorar a situação do meio ambiente e das pessoas. Claro que nada que fizermos terá resultado imediato e talvez nem regenere tudo o que já se foi, mas aos poucos, podemos tornar as coisas bem melhores e lidar com as consequências de nossos próprios atos de maneira mais consciente e inteligente.

  • Ter empatia e consciência

O fato de nos colocarmos no lugar do outro muda muita coisa. Ao agirmos de maneira que sabemos ser prejudicial a alguém, e nos corrigirmos, sabendo do impacto que aquilo terá, passamos a ter mais consciência e empatia sobre as pessoas, sobre os processos e sobre nossos atos.

  • Ter propósito

Tenha um porquê na vida, e se você for uma empresa, tenha uma razão de existir baseada em valores humanos. Quem pensa somente em lucro, está fadado ao fracasso: isso quem diz são os novos tempos em que estamos vivendo. Uma época regida por valores que se pode comprar ou pagar, aos poucos, vai deixar de existir.

  • Respeitar a natureza

Não pense apenas no termo “respeite a natureza”. Aprenda a apreciá-la como parte de você, como parte do todo. Quando realmente integramos hábitos de maneira genuína, eles tornam-se parte de nossa consciência.

  • Livre-se das amarras da Revolução Industrial

As máquinas mudaram nossas vidas, tanto positivamente quanto negativamente, mas um dos maiores impactos da implementação delas em nossas vidas, foi o tempo linear/tempo de máquina que se consolidou devido aos hábitos da linha de produção. Quando conseguimos entender que o tempo é vivo e não precisa seguir uma linha cronológica, percebemos que podemos ser mais livres nas nossas escolhas mais importantes.

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Dicas para aderir ao consumo consciente e à moda sustentável

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  • Faça compras inteligentes: opte sempre por peças-chave que combinarão com as outras roupas, calçados e acessórios que já tem no closet;
  • Antes de comprar, questione sobre a cadeia de produção daquela marca tanto em relação às pessoas envolvidas quanto em relação ao meio ambiente;
  • Comprar de comércio local, principalmente trabalhos mais artesanais, valoriza culturas que são marginalizadas e ajuda a trazer visibilidade ao que realmente tem importância, indo contra a obscuridade do capitalismo selvagem, além disso, fomenta a economia local, e o ciclo acaba voltando para você mesmo, resultando em uma qualidade de vida muito melhor para você, sua família e todos ao seu redor;
  • Não jogue roupas fora: se você ainda gosta daquela peça, busque por customizações possíveis, caso já não te agrade mais, doe para bancos de tecido ou marcas de upcycling que dão vida nova aos retalhos;
  • Aplique a consciência e a empatia a todos os campo de sua vida, com certeza isso vai se refletir no meio ambiente, na forma que as pessoas são tratadas e na maneira que os governos lidam com seus povos.

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Vamos manter a esperança de que dias melhores virão, agindo em verdade e com plena consciência de que nossos atos impactam diversas outras vidas (humanas ou não).

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