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Coronavírus: como será a moda e o consumo daqui pra frente?

Um microrganismo parou o mundo e promete catalisar algumas mudanças, principalmente na relação entre as pessoas e consumo

Hoje, o assunto vai muito além de roupas, calçados ou acessórios, até porque, moda nunca começou e nem terminou nela mesma. Mas agora, por adventos muito maiores, as pessoas finalmente conseguirão entender a profundidade das coisas. Essa geração da informação em demasia e da tecnologia em constante evolução, foca tanto no lado externo e material, que acaba por esquecer de olhar pra dentro, pra intuição, e pro desejo de fazer aquilo o que realmente se tem vontade. A expressão “piloto automático” nunca fez tanto sentido: fazemos as coisas sem pensar, muitas vezes guiados por opiniões, conceitos e propósitos que sequer nos pertencem.

Montagem com imagens inspirações do coronavírus na mosa.
Reprodução/Pinterest

A natureza ofereceu um momento: fique em casa para se cuidar e cuidar dos que estão ao seu redor. Pare e respire. Pense na sua vida e nas atitudes que vem tomando. É o momento ideal para ressignificar velhos hábitos e pensar nas ações para mudar aquilo o que, há tempos, vem te incomodando – que, muitas vezes, você nem sabia identificar o que era.

Claro que para tudo é necessário equilíbrio: muitos têm a oportunidade de parar por um tempo, mas outros, sofrem com a falta acentuada de coisas que já não eram fartas antes mesmo do vírus se tornar uma pandemia. E também há quem trabalhe em prol dos outros, dos que já estão enfermos. Vamos vibrar uma energia positiva, mas sempre lembrando de fazer o que for possível por aqueles que nem mesmo acesso à informação tem. Colabore com ações ou apenas com a consciência de que nem todos estão enfrentando esse momento com tanta calmaria e serenidade. Para alguns, é oportunidade, para outros, é desespero. A empatia é válida em todos os momentos, principalmente em tempos difíceis.

O que será da moda durante e após a pandemia?

Na verdade, ninguém sabe. Como é um fato muito recente, não podemos ter certeza sobre absolutamente nada, exceto que tudo sofrerá mudanças radicais e talvez a moda que conhecemos hoje deixe de existir e passe por uma transição mais rápida, catalisada pelo Coronavírus. Eventos como o SXSW, SPFW, Coachella, Lollapalooza e tantos outros foram cancelados ou tiveram suas datas adiadas – alguns aqui citados não têm uma relação direta com a moda, mas todos eles falam sobre nosso comportamento em relação à diversos aspectos que acabam esbarrando no mundo fashion.

O circuito tradicional da moda começou em Nova York, foi para Londres, e quando chegou à Milão, a notícia do vírus já era um assunto extremamente alarmante, e terminou no último dia 3 de março, em Paris, com diversas medidas de precaução. Armani foi um dos estilistas a cancelarem seu desfile presencial, preferindo fazê-lo ao vivo e transmiti-lo online em todas suas plataformas.

Montagem com imagens inspirações do coronavírus na mosa.
Reprodução/Pinterest

A partir de algumas atitudes, como de Armani, podemos perceber – ainda mais – a valorização das formas de comunicação online, como as transmissões através de redes sociais e outras plataformas, além do insight emergente de procurar maneiras diferentes e inovadoras de apresentar coleções. Houve uma ruptura brusca com o formato tradicional, e acreditamos que esse foi apenas o ponto de partida para algo muito maior que está por vir.

Quanto ao consumo de moda, sabemos que a situação financeira de muitas pessoas será ainda mais afetada: funcionários estão sendo afastados por tempo indeterminado e outros, estão sendo demitidos. Pequenas empresas locais estão à mercê do destino e também podem fechar suas portas, deixando muitos desempregados. Com a possível falta de alguns alimentos e a preocupante escassez de dinheiro, o consumo de moda ficará cada vez mais seletivo, e no momento, em segundo plano.

As pessoas já estavam caminhando para um consumo mais consciente, pensando antes de comprar e analisando a origem de suas roupas, mas agora, segundo pesquisas da WGSN, a tendência para os tempos pós-pandemia, é que a procura por marcas que ofereçam a sensação de segurança, bem-estar e calma será ainda maior, pois o clima de pânico e ansiedade prevalecerá por um bom tempo. Além disso, empresas que refletem os valores pessoais de seu público serão as que receberão mais destaque nos próximos anos. A mensagem é clara: é preciso um propósito, foi-se o tempo em que as coisas eram feitas somente para vender e dar lucro.

Zeitgeist: não é mágica, é previsão de comportamento através do próprio comportamento das gerações.

Pare por um momento e observe a natureza. A maioria das coisas seguem um determinado padrão, seja de forma, de cores, ou do próprio comportamento. Sabendo disso, precisamos dizer que basta entender e saber enxergar o passado para “descobrir” o futuro. Não que sejamos sempre os mesmos, pois nossa evolução é constante, mas olhando por uma lente macro, sabemos que, na história, existem altos e baixos, e que não seguimos um comportamento linear. O espírito do tempo determina quais serão as forças e as fraquezas de determinadas gerações.

Bem, onde queremos chegar: intuitivamente as marcas de vanguarda captam o espírito do tempo e o transmitem através de suas roupas, acessórios, conceitos e elementos de estilo. Um bom exemplo do período atual são marcas como Fendi, Balenciaga e Comme des Garçons. Na última temporada de moda, desfilada recentemente, as coleções de outono inverno 2021 abordaram temas que lembram cenários pós apocalípticos: além do próprio plano de fundo, as peças apresentaram características pesadas, com ombros pronunciados e detalhes pontiagudos, reforçando o fato das roupas servirem como escudos durante tempos difíceis: talvez este seja um insight para tentarmos prever o que será do mundo fashion nos próximos anos, uma moda rebelde e revolucionária, inspirada pelo isolamento social e pela insegurança causada pela pandemia do Covid-19.

Montagem com imagens inspirações do coronavírus na mosa.
Reprodução/Pinterest

E é engraçado perceber que muito antes da pandemia do Coronavírus assolar o mundo, marcas como Off White, Nike e tantas outras já estavam inserindo a balaclava aos looks como elemento de estilo. Recentemente, mesmo antes do caos se instaurar, a jovem estilista Marine Serre, vencedora do prêmio de jovens talentos do grupo LVMH, inseriu em sua coleção uma máscara vermelha e preta em parceria com a empresa Air Num, que possibilitou que o acessório tivesse aberturas estratégicas para a entrada de ar e tornou-se item desejo em pouco tempo.

A natureza é perfeita, e nós somos parte dela: diante de cenários como o aquecimento global, emissão de gases do efeito estufa, países industriais como a própria China, que prejudicam a saúde de sua população com um ar pesado e tóxico, o planeta sofre um surto de um vírus que ataca justamente nosso sistema respiratório. Já parou pra pensar que aqui na terra tudo passa por um ciclo, não importa como? Vale a reflexão.

A geração atual também reconhece que colaborar é melhor que competir, e o espírito coletivo já nasce aflorado nos millenials e na geração alpha, rompendo com a cultura das antigas gerações. São estes jovens que estão mudando a maneira de trabalhar, de estudar e de viver, talvez por isso a sustentabilidade, tanto em relação à natureza quanto no que se diz aos próprios hábitos humanos, sejam temas frequentes e cada vez mais necessários e intrínsecos aos atos do dia a dia. Esta é a geração que finalmente entendeu que não se muda o mundo através do outro, mas sim começando por si mesmo e percebendo a egrégora de inspiração e mudança que isso causa. Uma sociedade coletiva e mais colaborativa era prevista para os próximos tempos, e talvez a situação atual apenas agilize o processo.

Os impactos – perceptíveis até o momento

Sem querer ser utópico demais, mas conseguimos enxergar o lado positivo das coisas, até porque, pensar apenas no que pode dar errado é uma atividade exaustiva e prejudicial à saúde mental. Ao focar nas coisas boas, conseguimos experienciar a situação de uma maneira proveitosa.

É fato que muitas pessoas sofrem mais que outras – há tempos – e que quase 98% do dinheiro do planeta está nas mãos de cerca de 1% da população mundial. O desequilíbrio é notável, basta sair um pouco da bolha em que vivemos e olhar ao redor. A disparidade vem sendo instaurada há muito tempo pelas mãos governamentais e de grandes empresas privadas – muitas vezes em conluio – que exploram as pessoas e a natureza, visando lucros estratosféricos. Pode parecer surreal, mas esse tipo de comportamento vem caindo por terra, e pessoas com senso de comunidade vêm surgindo e propagando ideias de igualdade e equilíbrio, que são acatadas e levadas para ambientes micro, na esperança que as ideias e atos ecoem e reverberem até chegar ao cenário macro.

Algumas reflexões

Uma reflexão que vale para todas as áreas da vida individual e social: a pandemia é mundial, e a princípio, ainda durará por algum tempo, visto que as maneiras de contágio são muito fáceis e os sintomas iniciais são imperceptíveis, então, uma pessoa doente não conseguirá notar o vírus até que passe o período de incubação. Uma pessoa pode contagiar cerca de outras dez, e essas dez tornam-se 100, e assim segue. Por isso a gravidade da situação.

Montagem com imagens inspirações do coronavírus na mosa.
Reprodução/Pinterest

Mas o que “conforta”, de certa forma, é que não é somente um ou dois países que estão sofrendo com o Covid-19, mas sim todos, os desenvolvidos, os em desenvolvimento e os subdesenvolvidos. A economia será (já está sendo) fortemente prejudicada, e mesmo que alguns setores industriais tenham sanção para manter seu funcionamento, muitas pessoas perderão seus empregos, pequenas empresas que empregam toda uma sociedade fecharão suas portas, e o consumo diminuirá, inevitavelmente.

Uma certa “igualdade” está sendo instaurada à força, e aí veremos nosso poder como uma grande comunidade, provaremos se a situação nos ensinou a agir como a nova geração vem nos ensinando, e a esperança de transformar o micro em macro é grande pelos otimistas. Aqui, trocaremos a expressão “novos tempos virão”, por “são novos tempos”, e que ele seja mais justo, igualitário e benéfico para todos.

Questionamentos necessários – com respostas guardadas pelo tempo

A produção desenfreada das coisas tende a diminuir, visto que não terá mais essa alta demanda; dessa forma, esperamos que o trabalho humano seja mais valorizado tanto em relação à remuneração quanto às condições. Num momento de isolamento, percebemos o quão importante é nossa liberdade e as coisas intangíveis: os bens materiais terão o mesmo valor e farão o mesmo sentido de antes em nossas vidas?

A falta de algumas coisas como até mesmo a comida vai afetar nossa maneira de consumir e vai estreitar nossa relação com o meio ambiente?

O pensamento positivo está na cabeça de muitas pessoas que entenderam que o vírus veio para catalisar mudanças que já estavam começando a acontecer, mas será que os menos privilegiados pensarão da mesma forma, devido às dificuldades que somente tenderão a aumentar com o passar do tempo? Ou será que haverá menos disparidades, devido ao impacto do vírus atingir todas as classes, cores e etnias? Será realmente um momento de solidariedade, empatia e união, ou nos comportaremos de maneira tipicamente egoísta como nas séries pós apocalípticas? Já estamos vivenciando exemplos de ambos os comportamentos, mas se tratando de seres humanos, não sabemos ao certo o que esperar – vamos manter o otimismo.

Montagem com imagens inspirações do coronavírus na mosa.
Reprodução/Pinterest

Quando a situação estiver sob controle, nos lembraremos dos impactos positivos da pandemia, como o home office, que oferece mais tempo às famílias e reduz a produção de CO2, das águas cristalinas de Veneza, do tempo livre que conquistamos ao não ficar horas e horas dentro do transporte público a caminho do trabalho, da necessidade de pensar nos mais vulneráveis, de reconhecer e dar crédito a quem arrisca sua vida para o bem do outro?

A tomada de decisões foi tirada das nossas mãos, o ritmo desacelerou, a improvisação e a criatividade terão de ser ainda mais exploradas, com menos pressa e mais entrega, de corpo, alma e coração. No final, o que faríamos dentro de alguns anos, terá de ser feito hoje e agora, o quanto antes conseguirmos.

Agora, saia do macro e pense no micro, em você, na sua família e sociedade. Que esse impacto tenha causado não somente medo e desespero, mas que tenha trazido uma mensagem de que ainda há esperanças para nosso mundo e para as pessoas ao nosso redor. A igualdade está prestes a chegar, foque nas suas atitudes e perceba como elas reverberam nas pessoas. Tudo é uma construção.

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